Bom Jesus é uma cidade estranha. O seu povo valoriza o que vem de fora e fica irritado quando criticam a cidade e seus cidadãos. Bom Jesus não tem mais sociedade. Não tem mais glamour. Não tem mais classe política. Aqui em Bom Jesus, qualquer um derruba os prédios históricos, os monumentos, na hora que bem entendem - e constroem em locais proibidos. Os "bustos" de personalidades estão no lixo. Somem de uma hora para outra e ninguém, nem a família, reclama. Uma cidade sem brio. Sem história. Sem passado. Sem futuro. O Hospital "foi pro vinagre". Um amigo meu, médico, disse: se você ou qualquer parente tiver uma emergência, opte, a princípio, por São José do Calçado. HSVP? Jamais!
Aqui em Bom Jesus, a Casa de Saúde Aurora Avelino fechou, e nada foi feito. Aí veio uma turma de fora, "assumiu" a Casa de Saúde, sugou o que pode e sumiu! Ninguém sabe! Ninguém viu! Somos mesmo uns babacas. Neste período era comum ouvir em conversas de bar – bom-jesuense adora jogar conversa fora em bar – que "os caras que estão aí agora são feras! Tem negócios até no exterior". Devem estar rindo de nossas caras até hoje.
Depois vieram outros aventureiros e propuseram a criação da ABISA. Envolveram uns vereadores, deram uma puaia no deputado, enrolaram os produtores... Apresentaram uma planta (uma meia dúzia de rabiscos sem proporção) desenhada por um aprendiz de ajudante de desenhista, e alguns que viram "a planta", ficaram admirados: "eu vi a planta! Um troço de doido! Coisa de primeiro mundo". Sorte do município que a doação da área teve uma particularidade jurídica que fez com que a mesma área retornasse ao município. Essa mesma área agora está sendo alvo de discussões acaloradas acerca de se deve ou não ser doada a Indústria Xamego Bom. Ora! Agora há debate, pois as pessoas são daqui, conhecidas, bem intencionadas, sérias. Para os pilantras de fora: tudo! Para as pessoas de bem do lugar: a desconfiança.
Pobre cidade. Pobre de nós. Não temos faculdade, não temos indústrias de porte, não temos hospitais. Somos uns comedores de puaia! As nossas rádios não nos pertencem mais. Os donos são de outra cidade. O colégio conhecido como "Brizolinha" estava ameaçado de cair, foi evacuado e não se falou mais nisso. Não foi reformado, e não se sabe se será. Professores e alunos que se virem e achem outro lugar. Aquele local foi dominados por cavalos e bois. Algum espertinho colocou os animais lá dentro como se fosse um pasto, um curral particular. Os nossos jornais, não podem dizer a verdade, pois os anunciantes principais (Prefeitura e Câmara) ameaçam trocar de jornal. E tome elogios rasgados!
Somos orgulhosos. Orgulhosos de aparecer no Jornal Nacional com a primeira cidade do Brasil a assumir uma epidemia de dengue. Orgulhosos de ter sido manchete, com dezenas de presos, na Operação Epidemia da Polícia Federal dentro do INSS. Orgulhosos por ter sido a cidade que teve cinco prefeitos num mesmo mandato.
A CAVIL, do alto de seus 63 anos, capenga com dívidas colossais. Aí dizem que todas as cooperativas estão em dificuldade. E daí? E quantas são prósperas? Vamos nos espelhar nas prósperas, e não tapar o sol com a peneira e ficar procurando desculpas nas ruins. "A nossa manteiga não tem igual". Ouço isso desde que me entendo por gente! Como essa puaia e passo pra frente. E só! Mas a Cavil não vive só de manteiga. E o resto? Porque não produzem? Porque não crescem? O produto não é uma maravilha? Puaia, puaia, puaia... Estou farto delas!
E de que adianta tentar mudar? Os últimos prefeitos eleitos foram arrancados do poder com a força da lei. Na hora de escolher o prefeito temos que olhar a sua corja de advogados. O partido que tiver os mais astutos leva o pleito. E dane-se a cidade! Danem-se os cidadãos! Somos todos uns babacas mesmo... Os vereadores são vereadores de profissão. Um ou outro tem um emprego – mesmo que de fachada. Carregam e paparicam os eleitores de seus redutos que lhe garantem mais um mandato. Não tem vergonha de usar o povo. São movidos a puaia! Não sabem das leis, não se importam com elas e não se enrubescem com propinas. Uma vergonha, um descalabro. Na próxima eleição mudam-se um ou dois e voltam outros – que já tinham sido eleitos em outras eleições. Como diz um ditado popular (não muito polido): muda-se a bosta, mas as moscas continuam as mesmas (ou seria o contrário?).
Onde estão os cidadãos de bem desta cidade? Porque não se envolvem? Porque não participam mais? Porque não vão para as ruas? Onde estão os clubes de serviço (Rotary, Lions, Maçonaria)? Vamos nos mobilizar! Vamos nos organizar! Vamos dar um basta nisso! Chega de puaia!
Agora Bom Jesus tem marginal. Estão assaltando à mão armada em plena luz do dia. Estão invadindo a cidade. Todo dia temos um relato aqui, outro acolá de um assalto em uma casa, em uma loja, em uma lotérica. Acabou-se o sossego. A terra da hospitalidade está na U.T.I. Precisamos de um xerife!
Bom Jesus pede socorro!
Um comentário:
Faltou falar que a cidade está entregue às drogas, às festas sem lei, ...Ai de quem tenta mudar!!! Não falta perseguição pra quem demonstra insatisfação. O que fizeram com o voto que é o princípio da democracia? Não é mais o voto que elege... é o interesse pessoal.
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